sábado, novembro 15, 2008

Yes. Destruiria esse sujeito. Passava um trator em cima. Um caminhão indo e vindo, indo e vindo, devagarinho, rodando por cima da sua cabeça dele até a coisa virar uma plasta, um pus. Merda! O que você quer, cacete? Vou engrossar a voz e falar bem macho que é pra você escutar e eu não ficar devendo O que você quer, caralho? O que você quer, seu merda? Quer porra? Vou acelerar aqui a coisa e você vai ver como daqui a pouco ela esguicha farta e densa, exuberante, fértil até. Porra sem hormônios. Um dilúvio de porra, seu sacana, que era o que você merecia engolir até sufocar. Um dilúvio de porra fazendo você se engasgar e lembrar quando encostava a perna na minha, em conchinhas.

Você não se lembra, seu puto. Você não se lembra mas eu me lembro muito bem do seu pau ficando duro, do seu pau ficando duro e encostando na minha bundinha e aí, agora, outro dia, sabe, outro dia veio um cliente, um cliente baixinho e sabe o que ele quis? Sabe, você sabe o que ele quis? Não. Você não sabe o que um sujeito que procura um travesti pode querer, sabe? Sabe? Me responda: você sabe? Você sabe o que leva um sujeito a deixar a mulher e o filho em casa pra vir aqui gozar no meu pau e nos meus peitos? Não. Você nem imagina, seu punheteiro. Pois esse cliente veio e me pagou antes, pagou uma noite inteira, e aí o único que ele queria era dormir. Mas queria dormir de conchinha. Não de qualquer jeito. Assim de conchinha, como você fingia que dormia comigo. Aí, então, com o cliente de bundinha arrebitada, aconteceu do jeito que devia acontecer com você. Ou não era assim que acontecia com a gente?

Ai, meu Deus! Eu estou ficando louco, louca, meu Deus! Tudo vem e volta e vem como antes e agora aquele sujeito ali e eu e ele de conchinha e você e eu de conchinha e aí o meu pau começa a subir e eu não respeito o desejo do meu cliente, eu não respeito o desejo dele e, então, Toma, seu puto, não vem me enganar. Que história é essa de pagar a noite inteira e dizer que só quer dormir de conchinha com um travesti? Quer porra nenhuma, seu veado. Você quer é essa porra que eu vou te dar agora, seu sujeito, sem cuspe nem nada. Esse meu cacete duro que eu vou enfiar aqui agora no seu rabo e você vai ter que agüentar até o fim, até as bolas. Isso. Tem que agüentar. Tem sim. Não vou tirar não senhor. Vou continuar bombando e bombando até esguichar muita porra densa e farta e fértil do meu cacete e não me venha com essa história de que você veio pra dormir, que pagou pra dormir de conchinha com um travesti, Sabe por quê? Porque isso simplesmente não existe. Não. Isso não existe. A única coisa que existe são estes meus peitos encostando nas suas costas e este meu pau ficando duro igual o dele ficava e agora que a jeba aqui já está estourada e doida eu vou te foder até o útero que você não tem e você vai ter que agüentar. Não interessa se você pagou foi pra dormir e fazer carinho. Que carinho o quê, seu veado. Isso mesmo: ve-a-do. Veado é o que você é e agora vai ter que sustentar o nicaô no rabo até a hora que eu cansar. E eu acho que não vou cansar tão cedo porque eu fico só lembrando dele e do pinto dele encostando na minha bundinha e você não sabe o que isso significa?

Não. Você não sabe. E nada disso interessa. O único que importa é aquilo que está acontecendo agora. Aquilo que aconteceu um dia e que vai se repetir e repetir e repetir. A encruzilhada dos três caminhos. Não é essa a encruzilhada dos três caminhos? É um pouquinho antes dela que eu paro e olho pra frente e vejo que você vem, seu puto, vem com seu cortejo e quer que eu saia do meu lugar pra te dar passagem. Mas eu não saio. Eu não saio, entendeu? Eu não vou sair. Agora que eu estou aqui neste hospital olhando pra você e que você está aí nessa encruzilhada sabe o que eu faço? Sabe? Sabe sim. Agora você sabe sim o que eu faço. Claro que sabe. Sabe sim porque o oráculo já te preveniu e você sabe. Ainda não acredita, mas sabe. Você sabe muito bem que agora eu vou tirar o cacete pra fora e vou dar na sua cabeça até te fazer ficar podre de tanta porrada, de tanta bombada, até sair muito sangue, uma quantidade enorme de sangue que vai manchar todos esses caminhos todos. Um sangue cego e louco, marcado e eterno. Um sangue cheio de perguntas e a primeira adivinha é esta O que é o que é que de manhã anda com quatro patas, de tarde com duas e à noite com três? Quer que eu responda, eu respondo. Pode deixar que eu respondo porque essa você não sabe.

Sou eu, seu puto: esta mulher linda e loira aqui na sua frente.

10 comentários:

dani morreale diniz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dani Morreale disse...

huhuhhu!!!!
exorbitante.excelente...

renata.ferri disse...

Sem auto-censura desta vez,hein meu caro Edmundo. Sensacional!

renata.ferri disse...

Quase um Grande sertão veredas da prostituição.

Foi bom prá mim! disse...

gostei. muito.

Alberto Ribeiro disse...

Como sempre, sensacional.

Abraços

Anônimo disse...

Festa aos olhos
Festejo eu
Festeja ela
Que conto belO
Que coisa bela!
Ciao bello....

Bruno disse...

Um viva ao falr o que pensamos !!!!

Smiri disse...

Admiro muito os seus textos! Muito...

maria lutterbach disse...

eita porra