quinta-feira, julho 08, 2010

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Então foi isso o que me lembrou. Este quartinho no centro da cidade. O pau quebrando lá fora e nós aqui dentro. Suando. Suando. Suando. Traindo. Traindo. Traindo. Eu me lembro muito bem como foi a primeira vez. Nunca que eu poderia pensar que aquele sujeito lindo e maravilhoso e casado que me parou no meio do bar e me deu os parabéns por eu ser tão linda e gostosa, que aquele sujeito tão sério e cheiroso que me disse Olha, eu não sou de fazer isto, mas pra você eu vou dizer Parabéns, porque você é muito linda e gostosa. Nunca que eu podia saber que aquele sujeito que pegou envergonhado a minha mão enquanto eu estava bêbada, que aquele sujeito que cheirava a jasmim no meio da tarde quente, que aquele sujeito sempre tão preocupado e neurótico de estar comendo uma menininha de 20 anos que ele havia pegado borracha num bar, que aquele sujeito pudesse esquecer as coisas todas lá fora no meio da cidade quente, que aquele sujeito pudesse esquecer os filhos e a esposa, o trabalho e a vida pra ficar fodendo como você fodia e, depois de gozar, me dar um beijo e dormir de roncar alto, enquanto peidava peidinhos fedorentos e musicais.

Ninguém, meu lindo, pode nunca adivinhar o que vai acontecer.

Um comentário:

Plexsophia disse...

Olá Edmundo! Belíssimo seu blog. Gostei do texto, me trouxe um pouco da narrativa realista de Caio Fernando Abreu, foda! Segue, como combinado, o endereço do meu despretensioso blog.

http://plexsophia.blogspot.com/

abraços do seu aluno, Lucas.