domingo, setembro 11, 2005

Sorry, Frufru

Ai, minha pim. Meu coração disparou tão intenso! Até os vizinhos sentiram. Foram lá, reclamar com o porteiro. De jeito nenhum, Frufru. De maneira alguma que eu te creio uma pessoa má. Por que você diz isso? Será que agora é sua visão que está nublada, as retinas congeladas e esses seus olhões de ressaca vidrados como os daquelas santas de Notre Dame? Nem me diga uma coisa dessas, minha pimpolha. Logo eu, que te adoro tanto.

Mas o sorry aí de cima não tem nada a ver com isso que você falou e que eu acho mesmo um absurdo. Peço desculpas é por mim. Fui dormir com a alvorada de maravilhas e, antes de começar a sonhar com você, ainda pensei em você. Sabe o que pensei? Naquilo tudo que viemos nos falando. As coisas chegaram como um turbilhão na minha cabeça e eu não sei o que seria de mim se eu não fosse prevenido. É. Se eu não fosse acautelado, uma vez que, logo após desligar o telefone, tomei um remedinho daqueles que você sabe.

Aí, não teve jeito. Acabei dormindo mesmo. E sonhei. Parecia mais um delírio. Primeiro, a coisa começava como uma gangorra que levitava baixinho. Depois, a zanga-burrinha foi indo mais depressa, mais depressa, mais depressa. Tudo na mesma medida em que à minha cabeça, esta minha cabecinha aqui repleta de nervosias, assomavam umas coisas estúrdias.

Olha, Frufru: primeiro foi de novo aquilo de você falar que eu sou louco e o abandono em que você deixou um pobre coitado porque ele era maluco também. Pra te falar a verdade, fiquei morrendo de dó do moçó. Mas isto não é tudo. Na seqüência, veio também você virando pra mim e falando “Puxa, mas como o senhor é feio!”. Aí, nesse meu sonho meu, eu olhava pra um espelho e via a minha cara e minha cara não era a minha e eu falava com você “Cacete, mas se eu sou o Castro Alves!”. E, então, tocou uma sirene altíssima. Um alarme estridente e interior, com a minha Frufruzinha chegando e dizendo, um depois do outro, dois versos sem querer. Dois versos que saíram assim do nada e me tocaram como uma poesia de fascínios e sortilégios:

Longe.
Longe de mim.

Então, minha pimpim, nesse momento teve uma coisa até que boa: eu acordei. Não do remedinho, que este é forte pra xuxu (risos). Mas do sonho que eu estava sonhando no meu sonho. E é por isso agora que quero te pedir desculpas. Quero que você releve se eu for doido, quero que você releve se eu não for o Castro Alves, quero que você releve se eu nunca mais puder viver longe de você. É que eu acho que tudo isso é bem capaz de acontecer. Por isso, já digo “Excuse d’avance”.

Acho mesmo que aquele cantor que você detesta está certo: “De perto, ninguém é normal”. Só que a vida que não segue nunca em linha reta é a minha. Profana e sagrada ao mesmo tempo. Acho, com toda sinceridade, que as coisas não são nunca certas da maneira que a gente quer. E que o caminho da sombra pode até ser mais confortável, mas ensina muito menos. E é por essa vereda de pedras que eu estou vagando agora. Fala a verdade, Frufru: o que é que eu posso fazer?

Falar que é tudo uma bobagem? Dizer que tudo é mentira? Que isso aqui que está doendo pra caramba não existe? Que eu posso ver este fogo que arde? Que minha inteligência segura todos os tsunamis? Que dou conta de estilhaçar o espelho do sonho que estou sonhando? Até que tentar eu tento, Frufru. Tem horas que faço o possível pra acordar. E, então, acordo mesmo, como aconteceu hoje. Acordei ao meio-dia. Sabe pra quê, minha pim? Sabe pra quê?

Só pra continuar sonhando com você.

Um beijo.

2 comentários:

Thaís disse...

"Quero que você releve se eu nunca mais conseguir viver longe de você"

Quem precisa de Bandeira quando se tem Ed nenhum pouco mudo?!

Anônimo disse...

Agora ficou até desatualizado comentar aqui, não é? Afinal, desde domingo já não sou mais uma presença apenas virtual. Quem pede desculpas sou eu, por ter acordado seus vizinhos e ter feito vc se revirar tanto na cama! Sorry!!!

E lembra que no nosso domingo no parque - que coisa bucólica!!! -, vc me perguntou sobre o moço de quem disse ter sentido dó mas acabou que não te contei? Pode deixar que saberá da história direitinho, mas já adianto-lhe que o que fiz com ele não servirá para vc. Sorry again!

Um beijo e keep dreaming.